14 dezembro, 2006

Parabéns!

Paris, Abril de 2006


Para a Rita, que já não está em Paris...
...mas que se lembra sempre dos sítios onde foi feliz.

13 dezembro, 2006

Soneto do Gato Morto

Um gato vivo é qualquer coisa linda
Nada existe com mais serenidade
Mesmo parado ele caminha ainda
As selvas sinuosas da saudade
De ter sido feroz.
À sua vinda
Altas correntes de eletricidade
Rompem do ar as lâminas em cinza
Numa silenciosa tempestade.
Por isso ele está sempre a rir de cada
Um de nós, e ao morrer perde o veludo
Fica torpe, ao avesso, opaco, torto
Acaba, é o antigato; porque nada
Nada parece mais com o fim de tudo
Que um gato morto.


Vinicus de Morais
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

1997-2006

10 dezembro, 2006

Chorar, e chorar mais, a rir...

...com os Morangos com Adoçante e uns magníficos D'ZRT com 80 anos. E com o wrestling português e o Qing da Brandoa...muito bom. Belo bandulho, sim senhor. Tenho mais um herói.

A perfect day

O dia perfeito tem Sol e um frio muito frio de fazer bater o queixo e obrigar-nos a acender a lareira, tem compras de Natal, tem conversas com amigos, um café no "Chá", revelações de que tudo nos vai correr bem, tem o fazer da Árvore de Natal, a nossa, tem "Anatomia de Grey", mantas de lã no sofá e o último livro de Philip Roth, tem leitinho com mel, risotto ao jantar, tem o "Gato Fedorento", e tem o dormir aninhados debaixo de um edredon grande e pesado... Para ser ainda mais perfeito, amanhã era Feriado.

05 dezembro, 2006

Depois do vinil, das cassetes, dos cd's, o mp3...a tocar Moon River, na voz de Sinatra. Porque há coisas intemporais e que apetecem em dias de chuva.

14 novembro, 2006

Resumo

Nos últimos meses mudei de casa, continuei a amá-lo todos os dias, a gostar cada vez mais da minha família, a minha gata foi operada a um tumor, gastei dinheiro, continuei a trabalhar e a desmotivar-me com a mentalidade do funcionário público, fui a Paris visitar amigos e passear muito, fui de férias, experimentei novos restaurantes, aprendi a fazer sushi, conheci o namorado da minha irmã, reatei duas amizades perdidas há oito anos e entretanto reencontradas, li, vi muitos filmes, vi muitas séries mas continuei fiel ao "Lost", não ganhei o EuroMilhões (damm it!), comprei uma mesa de snooker, conheci vizinhos e descobri como as lavandarias podem ser as nossas melhores amigas. Continuei sem ter internet em casa (graças à TVCabo), deixei de escrever e voltei a escrever.

Ter um blog...

Escrever ou não escrever, eis a questão. Ter um blog é quase catártico, permite-nos vazar as entranhas, dizer de nós e dos outros, falar bem, falar mal, deixando-nos com a sensação de que temos algo para dizer, e que alguém, longe ou perto, nos escuta (mesmo que o faça só pelo prazer voyeurista de saber dos outros). São uma forma de registo, de memória, têm um fim em si mesmos. Ter um blog é uma forma de estar permanentemente em contacto com o outro, de poder dizer do que se gosta e do que não se gosta. É um espelho da alma. Os blogs são os novos olhos. São uma maneira de nos revermos nos outros, de partilhar opiniões, gostos, ou de discordar. São o expoente máximo da liberdade de expressão. Da liberdade. É também um expor do que somos, pois tudo o que escrevemos, mesmo que seja mentira, é uma projecção, uma forma de nos revelarmos. Não há escrita que não seja autobiográfica. E, assim como assim, revelo-me. Não tenho nada a esconder.

24 março, 2006

Hoje é um dia de Gato. 21h15 RTP1.

V for Vendetta

Há-de flutuar uma cidade

Vi no outro dia a Maria João Luís a recitá-lo na RTP e recordei o quanto gostava da poesia de Al Berto.
há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu...
como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da
noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia
cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem
ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma
pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha
porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a
felicidade

23 março, 2006

Stravaganza

Informação retirada da ajuda preciosa LifeCooler.
Restaurante Stravaganza
Rua do Grémio Lusitano 20 - Lisboa1200-212
Telefone: 213468868
Das 12:00 às 02:00
Não encerra.
Especialidades: Entradas: Carpaccio; Cogumelos Refogados com Pão Crocante; Salada Stravaganza; Salada tropical; Gambas à Provençal; Pão crocante com alho e tomate; Carpaccio com queijo Grana; Amêijoa à Livornese. Pratos Principais: Linguinni Stravaganza; Linguinni com Gambas e Alho; Spaghetti alla Breza di Mare; Lasagne al Forno; Tortelloni di Magro Mantecati; Pappardelle alle Noci e Gamberi; Tagliatelle; Fettucine; Escalopes de Porco com Limão; Lombo de novilho; Pizzas diversas cozidas (em forno de lenha de árvores de fruto). Doces: Tiramisú; Panna Cotta; Pomo d`Adamo; Mousse de chocolate; Pizza de maçã com gelado de baunilha; Carpaccio de manga; Flan de café; Flan de caramelo; Banana flambé; Misto de doces.

A espuma dos dias, ou como um post sobre o fim-de-semana se torna no Diário de Sofia (com fome)

Diário de Susana
Querido Diário:
É sempre bom reencontrar a Rita e a Catarina. Fizemo-lo este fim-de-semana num jantar a quatro no Bairro no Stravaganza. É bom rever os amigos que estão longe, pôr a conversa em dia (o que nunca acontece realmente, pois há sempre demasiado para dizer e pouco tempo).
Em relação ao restaurante deve anotar-se que não cobram o couvert (!!!), por isso nada como nos atirarmos aos grissini (coisa que não aconteceu) e que têm também uma bruschetta maravilhosa. O resto da comida estava boa. Para variar, a minha sobremesa foi panna cotta. Em relação ao serviço, há a apontar a demora e achei que uma da empregadas era um bocado paradinha.
Este foi também o fim-de-semana em que deixei definitivamente a minha casa. Com chuva e vento como convinha ao meu humor. Agora devem ser só mais duas semanas até a nova estar pronta. Até lá, brinco aos namorados modernos em casa dos meus pais, daqueles que dormem juntos sem os pais se importarem e que aproveitam os momentos a sós para jogar às escondidas sem fazer barulho.
Este fim-de-semana e depois da dose de mudanças da semana passada, vou para o Algarve. Com o tempo fabuloso que deve estar, vou passar o tempo todo na piscina interior, na sauna e no banho turco, sem sair do hotel. Lá terá que ser. Assim como ir ao meu restaurante indiano preferido, o Bombay Palace na Oura deliciar-me com frango kurma. Nham!

16 março, 2006

Hoje é a última noite aqui em casa. A minha primeira casa. Já a tenho há quatro anos. Vivo cá permanentemente há 11 meses. E agora vou-me mudar. Não gosto de me desfazer de coisas, de casas, de carros, de objectos, de pessoas. Só muito raramente deito algo fora. ...
Ainda se deixasse a casa, mas pudesse cá vir de vez em quando... Mas não, é a ocupação total (por direito, é certo). O meu quarto, a minha sala, a minha cozinha, a sala, as casas-de-banho, sniff. Não gosto de deixar sítios que considero muito meus...não gosto. E não há nada a fazer.

09 março, 2006

Walk the Line

Gostei muito de Walk the Line. Gosto de vidas assim, intensas, de histórias trágico-cómicas, de homens desesperados e desesperantes, de grandes mulheres, de amores arrebatadores e de pessoas que pertencem uma à outra. As grandes histórias de amor são isto.